episódio # 65 - Safe Trip Home (em: resenhas)

isso foi em 07.Dec.08 e 4 comentaram

Desde que a Tia Bru criou um post só sobre sites de brindes, meus feeds ganharam um tom muito grande de pessoa triste. E isso já faz um tempo hein, mas eu continuo achando que no dia seguinte vai pular aquela promoção luxurious que vai mudar minha vida. Enquanto isso sou presenteado com amostras de condicionador Pantene, batom de manteiga, bonecas da Maísa e poster do papa (sério isso gente? Nem minha tia avó ta pregando mais poster do papa na parede). Eu chego a ficar deprimido. Não pelo fato de nunca receber uma promoção descente, mas pelo fato de saber que existem pessoas que participam de tudo isso pra ter a sorte grande de ganhar um… porta retrato. E pior: de saber que eu sou uma dessas pessoas. Nojinho.


pronto, cancelei. Até já sinto minha auto-estima mais elevada! Ou não. Mas enfim, eu não vim aqui pra isso. Dia desses eu percebi que não ouço mais músicas. Ou melhor: eu ando ouvindo sempre as mesmas músicas repetidas que são uns j-pops que já estão martelando na minha cabeça. Percebi que abandonei completamente minha paixão pela busca de novos sons considerados meio alternativos (hoje nem tanto). A uns dois anos atrás eu baixava 2 cds por dia do gênero. Tudo bem que ouvia e deixava de lado quase tudo, mas pode-se dizer que eu estava mais conectado ao mundo da música.
Pois bem, vou fazer um esforço de corrigir isso. Nem que seja nas férias, já que vou ter mais tempo livre (será?). Pra dar o ponto de partida, eu queria analizar com vocês o último album que eu baixei, que não tem haver com indie rock mas tudo bem. É que ante-ontem deu uma vontade louca de digitar o trabalho de Conforto Ambiental ouvindo Dido. E eu sabia que ela tinha lançado um CD novo recentemente. Fui buscar o dito cujo. Além do mais, eu adoro quando os blogueiros postam resenhas de livros - filmes - músicas, ajuda pra caramba!

Mais exatamente, o cd é de final de Agosto. Nem é tão velho assim viu, mostra que pelo menos eu ouço falar das coisas. “Safe Trip Home” é o terceiro disco de carreira da cantora inglesa. Ela ficou famosa no finalsinho dos anos 90 com “No Angel”, o album que a revelou do topo das paradas do Reino Unido para o mundo. Não é pra menos. No Angel é um cd que eu adoro, e literalmente conheci no lançamento. Eu ainda era pivetinho naquela época; uma amiga me emprestou e eu fiquei com ele um tempão ouvindo.
A primeira impressão que eu tenho de STH é um flerte com o folk. Isso não fica claro no início, mas o instrumental leva para umas referências subentendidas do imaginário americano, como a ilauta inca e a gaita presentes ao longo. Outra coisa, agora sim clara, é o destaque muito mais evidente a voz da cantora doque em seus trabalhos anteriores. Esqueça um pouco as mixagens de “Life For Rent”, o album transcorre todo com a voz da Dido forte em primeiro plano, o que revelou ainda mais seu poder.
O estilo musical permanece fiel ao que você conhece, portando nenhuma reciclagem surpresa de material. As letras continuam falando de amores perdidos, saudade, família e amizade mimimi.
“Never Want To Say It’s Love” foi a primeira música que me chamou atenção. Ela não levanta a voz em nenhum momento, mas mesmo assim a música tem momentos marcados. Uma bateria acústica acompanhada de baixo fazem o clima. Já “Grafton Street” é acompanhada pelo fole e instrumentos de sopro. Tem um tom mais sombrio, mas o resultado é algo bem diferente da produção anterior de Dido, mais uma grata surpresa.
Curiosamente, uma da minhas músicas preferidas é justamente a bonus track “Northern Skies”. Isso é engraçado visto que “Take My Hand”, o mix bônus do seu primeiro cd também o é.
Alguns podem achar que o album se desenvolve num tom um tanto quanto melancólico. Alguns como eu, que andam muito sem paciência para músicas calmas ultimamente. Mas é preciso estar num estado de espírito parecido para se ouvir STH. De fato não há nenhum momento no disco que vá te levantar, todas seguem num ritmo muito parecido.

O resultado para mim é um disco interessante. Eu gostei de ver ela procurando novos campos. Mas temo com um frio na barriga que isso desenvolva para algo mais experimental ainda e por lá fique, perdido em algum canto do pop melancólico. Não supera seu album inaugural que ainda mantém uma aura forte de impacto, nem mesmo “Life For Rent” que também é muito bom. Acho que não supera pq é uma face bem diferente da Dido na verdade, sem tirar o mérito claro. Esse album também tem ótimos momentos. Mas vale principalmente pelo registro vocal evidentemente mais poderoso da Dido.

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autor & obra

O nome é Diego e tem 21 anos. Nascido e criado no Rio de Janeiro, mas planeja se mudar para Niterói em breve. Não tem feito nada além de cursar o quarto período de Arquitetura & Urbanismo na UFF. Estuda japonês e pratica natação toda a semana. Nos tempos vagos treina fotografia e partidas de Poker. Indeciso, preguiçoso e de opiniões volúveis.
Não há muitas coisas que valham a pena serem ditas aqui sobre mim. Ou melhor, não há muita coisa que eu queira dizer. Costumo ser muito reservado, falo pouco e observo até demais – traços que definem bem minhas atitudes quase sempre anti-sociais. Por isso não é de se estranhar que eu tenha um blog, ele é minha válvula de escape para todas (ou quase todas) as coisas não ditas há muito tempo. Nesse aspecto blogar sempre teve muito sentido para mim, e desde a chegada desse tipo de serviço ao nosso país eu me retratei de diferentes formas. O popscene é meu primeiro e único host, e também minha investida mais duradoura, estando no ar agora a pouco mais de 2 anos.