episódio # 56 - dawn crossing (em: especiais, manutenção)

isso foi em 29.Jun.08 e 4 comentaram

Ontem foi a festa junina da faculdade. Eu sabia que ia ter mas nem tava mto afim de ficar pois começava só 21h, é até a minha casa é uma looonga jornada. Minha ultima aula acabou às 16h, mas uma amiga ficou enchendo muito o saco pra eu ficar. Ela foi com uma galera pro atelier adiantar umas plantas e eu acabei que fiquei por lá ajudando. E assim eu fui ficando sem perceber até praticamente a hora da festa (se aproveitam da minha nobreza ). Ok, acabei ficando de qualquer forma, so que estava chato pq eu não estava nem um pouco caracterizado de caipira (o pessoal da arquitetura incorpora mesmo o espírito nessas festas o__o’). Comecei a ficar preocupado com como eu vou voltar quando deu 22h, sendo que a festa nem tinha começado direito ainda sabe? Tava aquele clima super morto de “ainda vai melhorar mil vezes”. Então eu fui ficando mais e mais… a festa foi animando, as pessoas foram chegando… e eu fui bebendo. Quando dei por mim já ia dar meia noite

Consegui descolar uma carona até o centro de Niterói. É um caminho rápido mas como tinha gente indo embora tbm eu entrei junto no primeiro carro que vi que me levasse para a estação das barcas. Na hora de abrir a carteira saiu aquela mosquinha e só tinham uns 3 reais e pouco. Dai que eu me toquei: oh baby, como eu vou pegar o ônibus em seguida Dai fui eu retardado procurando caixa de banco aberto a essa hora, e óbvio que não encontrei nada. O legal é que a essa hora as barcas tbm só saem de 1 em 1 hora, e tinha uma prestes a sair. Fiquei rodando pelo centro de Niterói que nem cachorro bêbado (literalmente) e nada. Aliás, minto. Achei um auto-atendimento da Caixa que me presenteou com a linda mensagem “operação de saque não disponível”. Gamei.

Ta, entrei na barca logo e fiquei pensando comigo mesmo como eu ia me virar pra arranjar grana. Não tinha como ligar pra casa pois eu estou sozinho. A mãe viajou com o namorado pra fazer pesquisa de campo em Resende e meu irmão foi passar final de semana com o pai. Chegando do outro lado da poça, na Praça XV (já no Rio) eu continuei procurando qualquer caixa que fosse, em posto de gasolina ou sei-la-oq. Para mim, uma pessoa muito orgulhosa pra pedir dinheiro ou incomodar conhecidos a essa hora da noite chorando por ajuda, só restou uma opção: ir a pé.

Eu ja tinha feito isso anteriormente, meio que por esporte: ir do Centro até o Grajaú (aonde eu moro) a pé. Só que mudava agora um pequeno detalhe: em vez de estar de DIA com as ruas cheias de gente e carros, era de madrugada com as ruas desertas com gente estranha por todos os cantos.

Eu nem tava bêbado, mas achei a idéia até que normal na hora. E lá fui eu na minha jornada. Pra me distrair eu fingia que tinha um amigo imaginário do meu lado e que eu ia mostrando a cidade pra ele, dizendo oq a gente ia fazer em seguida (ok, talvez eu estivesse um pouco bêbado )

Passei por muitos bairros, muitos pedaços totalmente desertos, muitas vias expressas com um filete de calçada pra andar, muita gente mijando e muita gente bizarra que nem da pra explicar. Cheguei em casa como né! Minhas pernas latejavam (fato que ainda doem) e eu sentia uma sede que sério, nunca tinha visto algo igual (fome tbm, ataquei o brigadeirão que tava na geladeira!)

Mas quer saber? Por mais que tenha sido perigoso e imprudente da minha parte fazer uma coisa dessas, eu confesso que gostei. Conheci um outro lado da minha cidade, e além disso, descobri que ela não é tão perigosa assim quando o inconsciente coletivo dita. Ou talvez eu tenha tido pura sorte, pois não fui abordado por ninguém em nenhuma parte do caminho, mesmo tendo passado por áreas altamente trash do Rio. Além do que, eu economizei aqueles 20/30 reais que eu ia gastar com o taxi se tivesse conseguida achar o maldito caixa

- imagem do percurso
- arquivo de rota para quem tem Google Earth

Sabe aqueles dias que você passa inteiro no computador, mas parece que não conseguiu resolver nada?
Ta, exagero. Eu consegui resolver algumas coisas hoje sim. Nada que fosse de extrema urgência na minha vida (ainda mais em final de período), mas de uma vez por todas eu me entendi com os serviços do Del.icio.us e Technorati. Também criei feeds (e pingadas) descentes pro meu blog, usando o Feed Burner. Eles podem ser assinados naquela imagem lá do footer. Agora me diz: precisava de um dia inteiro só pra fazer isso?

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autor & obra

O nome é Diego e tem 21 anos. Nascido e criado no Rio de Janeiro, mas planeja se mudar para Niterói em breve. Não tem feito nada além de cursar o quarto período de Arquitetura & Urbanismo na UFF. Estuda japonês e pratica natação toda a semana. Nos tempos vagos treina fotografia e partidas de Poker. Indeciso, preguiçoso e de opiniões volúveis.
Não há muitas coisas que valham a pena serem ditas aqui sobre mim. Ou melhor, não há muita coisa que eu queira dizer. Costumo ser muito reservado, falo pouco e observo até demais – traços que definem bem minhas atitudes quase sempre anti-sociais. Por isso não é de se estranhar que eu tenha um blog, ele é minha válvula de escape para todas (ou quase todas) as coisas não ditas há muito tempo. Nesse aspecto blogar sempre teve muito sentido para mim, e desde a chegada desse tipo de serviço ao nosso país eu me retratei de diferentes formas. O popscene é meu primeiro e único host, e também minha investida mais duradoura, estando no ar agora a pouco mais de 2 anos.